Vestibular para Papairelado.

Embora o médico tenha pedido para manter os pés no chão, segurar um pouco a emoção e tentar aguardar até a décima segunda semana para começar a dar a notícia pra galera, vocês já viram … eu não consegui.

Estamos entrando na décima semana de gestação e um desespero tomou conta da minha vida. Uma dúvida ficou martelando minha cabeça no período entre o último texto e este que escrevo agora. Onde faço o curso técnico para pai? Será que consigo uma Licenciatura ou Bacharelado na área?

De fato percebi que certas coisas que aconteceram em minha vida poderiam ser chamadas de estágio. Sim, eu sei! Do mesmo modo que não existe um curso para Pai também não existe estágio, mas muita coisa serviu de experiência e com certeza valeu o aprendizado.

Quando eu e minha esposa começamos a namorar eu tinha 17 e ela 16, mas ela trazia de brinde algo que transformaria minha vida e ajudou muito na minha decisão de ser pai. Ela tinha duas lindas e pequenas irmãs. Uma tinha dois anos e a outra estava prestes a completar seu primeiro ano de vida.

Nunca imaginei que dessas duas pequenas princesas eu poderia despertar sentimentos tão intensos e que mudariam até o meu jeito de pensar (lembrando que eu só tinha dezessete anos).

Era indescritível a sensação de chegar na casa delas e ser recebido com tanta alegria por aquelas duas meninas que não me conheciam direito. O amor crescia cada dia mais e o que parecia que se tornaria um obstáculo na vida de um casal de namorados adolescentes na verdade se transformava em uma longa e deliciosa experiência.

As regras já não eram mais impostas pela namorada e sim por suas irmãs. E o mais legal era que nós curtíamos cada dia mais aquela rotina que estava se criando.

Ao chegar na casa delas era muito engraçado fingir que não via a mais nova escondida atrás da porta para me dar um susto enquanto a mais velha pulava no meu colo, me enchia de beijos e ficava dizendo no meu ouvido: “cuidado na porta” e logo vinha toda a encenação do susto enquanto elas riam.

Sentar no sofá abraçado com a minha namorada para assistir TV era impossível, pois eu tinha as  princesinhas sentadas cada uma em uma perna já aguardando o momento de tomarem a mamadeira no colo do futuro cunhado. Passeios só do casal naquela altura já eram raros porque partia o coração deixar as duas em casa.

E assim fui acompanhando o crescimento delas tentando ser sempre um exemplo (em um momento que parece que a vida te convida a fazer somente besteiras de adolescente) e vendo que muitas das vezes elas repetiam minhas atitudes e principalmente minhas brincadeiras.

Quando aprontavam alguma coisa já tinham na cabeça que quando eu chegasse teríamos uma conversa para entendermos que o que haviam feito estava errado.

E juntos sorrimos, brigamos, estudamos, passeamos, assistimos Tarzan no mínimo setenta vezes, jogamos vídeo-game, cantamos, treinamos jiu-jitsu, curtimos muito Rock’n’roll, assistimos outros desenhos em uma proporção menor, mas quase igual a do Tarzan e cobrei sempre delas que tivessem atitudes boas e dessem o exemplo. E elas sempre o fizeram, faziam questão de mostrar suas lições quando começaram a estudar e o mais interessante era a forma que elas deixavam muito clara de me ver não como um cunhado ou um irmão mais velho, mas sim como um segundo pai.

Era muito engraçado, quando queriam fazer algo, elas me pediam autorização como se eu fosse o pai.

E agora eu sei que você deve estar se perguntando: “E a namorada? Como foi isso tudo pra ela?”

Estava sempre ao nosso lado com o sorriso mais lindo e com os olhos sempre brilhando porque ela sabia que aquilo era muito amor envolvido.

Agora olho para elas e vejo naquelas princesas (hoje uma com vinte anos e a outra prestes a completar vinte e dois) muita inspiração, e desejo muito que eu consiga com o meu bebê que está por vir ter novamente toda essa experiência linda que tive com elas e tentar sempre corrigir onde falhei.

Se meu filho ou filha me olhar com o brilho nos olhos igual ao que elas me olhavam já será uma das maiores alegrias que terei como um pai e assim terei certeza que o estágio valeu a pena.

Agora me falta procurar a especialização…

Alguém tem indicações?

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Um comentário em “Vestibular para Papairelado.

  1. Eu, hoje com meus quase 22 anos, ainda te tenho e vou ter pra sempre como meu segundo pai! Evertinho, você vai ser um paizão para esse bebê, assim foi e é pra mim!
    Como você costuma dizer: muito amor envolvido!
    P.S.: te amo e não é pouco (li chorando).

    Curtido por 1 pessoa

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